Marcel Van Hattem chega ao Senado Federal aos 40 anos depois de mais de duas décadas de vida política. Aos 18 anos foi eleito vereador de Dois Irmãos. Desde então, passou pela Assembleia Legislativa, chegou à Câmara dos Deputados com a maior votação do Rio Grande do Sul em 2018 e se consolidou como uma das principais vozes de oposição ao governo federal. Agora ele estreia no Senado.
No domingo (4), o eleitorado gaúcho colocou mais um capítulo nessa trajetória. Filiado ao Novo, Van Hattem recebeu mais de 3 milhões de votos, equivalentes a 30,08% dos votos válidos, e foi eleito para uma das duas vagas em disputa no Senado. Ficou apenas 4.263 votos atrás de Ubiratan Sanderson (PL), que terminou em primeiro entre os eleitos.
Natural de São Leopoldo, Van Hattem cresceu em Dois Irmãos. É filho de um engenheiro holandês que imigrou para o Brasil e de uma arquiteta. É o mais velho de cinco irmãos.
Em 2004, aos 18 anos, foi eleito vereador de Dois Irmãos e, durante a graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participou do movimento estudantil. Em 2009, integrou a chapa vencedora da eleição para o Diretório Central dos Estudantes da universidade.
As primeira tentativas de chegar à Assembleia Legislativa foram em 2006 e 2010. Entre 2011 e 2013, viveu na Europa como bolsista de estudos, onde acumulou experiências acadêmicas que ajudaram a formar o perfil político que apresentaria nos anos seguintes.
Em 2014, na terceira tentativa de chegar ao Legislativo estadual, ficou como primeiro suplente. Com a nomeação de deputados do partido para secretarias do governo estadual, Van Hattem assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2015 e ficou até 2018.
Na Assembleia, passou a defender uma agenda associada ao liberalismo econômico, com ênfase em redução da máquina pública, controle de gastos e maior liberdade econômica. Foi nesse período que se distanciou do PP e foi ao Novo, que havia sido criado em 2011 com uma plataforma liberal na economia e de defesa de reformas.
Na eleição de 2018, recebeu 349,8 mil votos e foi o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul. Em 2022, Van Hattem foi novamente às urnas e conseguiu a reeleição, desta vez com 256,9 mil votos.
Durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se um crítico frequente do governo federal. A atuação o aproximou de setores conservadores do eleitorado e de pautas defendidas pelo bolsonarismo, embora sua filiação permaneça no Novo, legenda que mantém identidade própria e posições independentes em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2024, Van Hattem esteve envolvido em uma investigação da Polícia Federal relacionada a declarações feitas contra o delegado Fábio Schor. O deputado sustentou que suas manifestações estavam protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar. O episódio provocou discussão sobre os limites da manifestação de parlamentares.
Com a eleição, o Rio Grande do Sul terá, a partir de 2027, Van Hattem, Sanderson e Hamilton Mourão (Republicanos) como representantes no Senado. As duas novas cadeiras substituem Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), cujos mandatos terminam no fim do ano.

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