A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a Operação Mexicano, que investiga um grande esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de São Leopoldo e tem como objetivo atingir a estrutura financeira de uma facção criminosa. Ao todo, foram efetuadas 10 das 11 prisões preventivas decretadas. A operação também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de ativos financeiros e sequestro de bens, totalizando R$ 16 milhões.


A operação ocorreu tanto no Vale do Sinos, Região Metropolitana e litoral, incluindo Novo Hamburgo (com três prisões), São Leopoldo, Portão, Imbé, Osório, Capão da Canoa, Charqueadas, Montenegro e Porto Alegre. A Polícia Penal prestou apoio à operação.
Segundo o delegado Ayrton Martins, a investigação é um desdobramento de sete inquéritos policiais desde 2022, investigação que apurou a atuação do mesmo grupo criminoso por meio de tele-entrega de drogas, incluindo entorpecentes de alto custo. A apuração inicial resultou em 17 prisões entre 2023 e 2024. Entre eles, o líder do esquema do tráfico, apontado como “GG”, segundo o delegado, que hoje está foragido após deixar a cadeia no regime semiaberto. Ele rompeu a tornozeleira eletrônica.
A partir de então foi investigado a lavagem de dinheiro relacionada a esse esquema. Segundo a Polícia Civil, a movimentação analisada chegou a R$ 95 milhões. Os entorpecentes seriam de alto valor. “O grupo que hoje estamos prendendo era responsável por um esquema de ‘ciranda financeira’. Recebiam dinheiro ilícito do tráfico de drogas em um esquema de transferências recíprocas em diversas contas, esse dinheiro era novamente retirado da boca do caixa com viés de legalidade. Aparentemente era um dinheiro limpo e era novamente introduzido através de compras de veículos, imóveis e mesmo a compra de novas drogas para assim se retroalimentar todo o esquema”, explica o delegado.

De acordo com a investigação, foi identificado um núcleo financeiro principal, este sendo composto pelos 11 investigados da operação desta quinta (29). Também foram identificadas contas que teriam sido utilizadas para receber e redistribuir recursos, incluindo familiares dos investigados. “Esses indivíduos hoje estão presos por lavagem de dinheiro, e a pena varia entre quatro a 10 anos, a depender das condições individuais de cada um deles. Alguns deles já tinham contra si condenações anteriores por roubo, extorsão e tráfico de drogas, mas a grande maior parte eram indivíduos sem histórico criminal”, afirma Ayrton.
Os presos tiveram R$ 16 milhões bloqueados, entre contas e bens. Veja a entrevista completa com o delegado abaixo:
Fotos: Bruno Schütz | DN




