O Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung) celebrou, nesta terça-feira (25), três décadas de atuação no Rio Grande do Sul. A programação foi realizada no Teatro Feevale, no Câmpus II da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, e reuniu reitores de instituições integrantes da entidade durante o Café com a Imprensa.
O encontro apresentou dados que evidenciam a abrangência das 14 universidades comunitárias gaúchas e a contribuição delas para áreas como educação, pesquisa, inovação, internacionalização, saúde e desenvolvimento regional.
Em 2025, as instituições que integram o Comung ofertaram 524 cursos de graduação presencial, com 85.588 estudantes matriculados. Desse total, 28.611 alunos possuíam algum tipo de bolsa ou gratuidade, o equivalente a 33,4%. No mesmo ano, 13.889 estudantes concluíram cursos de graduação presencial.
Na pós-graduação, foram ofertados 1.305 cursos lato sensu, que reuniram 103.516 estudantes. Já a pós-graduação stricto sensu contava com 182 cursos e 7.673 alunos, dos quais 3.941 possuíam algum tipo de bolsa ou gratuidade. Ao longo de 2025, as instituições formaram 1.589 mestres e 720 doutores.
A produção científica também representa uma parcela importante da atuação das universidades. Em 2025, o Comung reunia 6.487 professores, sendo que 4.922 possuíam, no mínimo, mestrado acadêmico concluído. No mesmo período, foram registradas 13.849 publicações científicas. Até o ano passado, as instituições também haviam registrado 360 patentes.

As universidades comunitárias também mantêm uma estrutura voltada ao empreendedorismo e à inovação. Os nove parques tecnológicos vinculados às instituições reúnem 729 empresas, responsáveis por 14.438 postos de trabalho. As 13 incubadoras de empresas vinculadas às universidades registravam, em 2025, 266 empresas incubadas.
A internacionalização também faz parte das ações desenvolvidas pelo Comung. Durante 2025, foram realizados 615 projetos relacionados à área, envolvendo 1.015 instituições internacionais parceiras e 8.665 estudantes.
Na área da saúde, as instituições realizaram 11.043 projetos com atendimento ao público ao longo do ano passado. As iniciativas envolveram 4.999 colaboradores e 10.755 alunos e alcançaram 590.620 pessoas. Entre as ações estão serviços gratuitos de atendimento psicológico e odontológico, além de programas de atividade física voltados a idosos.
Também foram desenvolvidos 110 projetos específicos para pessoas em situação de vulnerabilidade social, alcançando 126.518 pessoas.
Para o reitor da Universidade Feevale, José Paulo da Rosa, a estrutura das instituições demonstra a capacidade de investimento e transformação nas regiões onde estão inseridas.
“O Teatro Feevale, onde este evento está sendo realizado, é um exemplo da qualidade das estruturas das 14 universidades que compõem o Comung. Além de teatros, todas possuem excelentes bibliotecas, laboratórios de pesquisa, que nos permitem realizar pesquisas”, afirmou.
José Paulo também destacou a característica do modelo comunitário, que, segundo ele, diferencia essas instituições das universidades privadas tradicionais.
“Há 30 anos, as instituições organizaram o consórcio, não porque são melhores que as demais, mas porque são diferentes. Nós não visamos o lucro, mas objetivamos os resultados para reinvestir em nossa operação e, assim, beneficiar as nossas comunidades. Então, essas três décadas precisam ser comemoradas, porque a existência de uma universidade comunitária é sinal de desenvolvimento regional”, ressaltou.

O reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e presidente do Comung, Rafael Frederico Henn, reforçou o papel das universidades comunitárias no desenvolvimento econômico e social do Estado.
“Não há como ter uma sociedade desenvolvida econômica e socialmente sem uma universidade forte. Então, não há dúvida que as universidades comunitárias são fundamentais no desenvolvimento social e econômico, e acreditamos que esse modelo comunitário se configura como a maior rede de ensino superior do Rio Grande do Sul”, destacou.
Henn também ressaltou a importância da união entre as instituições.
“Temos convicção que o nosso Estado pode, através do Comung, ficar cada vez mais forte perante o Brasil”, completou.
Durante o evento, o coordenador do Grupo de Pesquisa Competitividade, Economia Regional e Internacional (CEI), da Unisinos, Marcos Lelis, apresentou dados socioeconômicos das regiões de atuação das universidades comunitárias. Segundo ele, as áreas abrangidas pelo Comung concentram 85,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, além de responderem por 50,6% da produção agropecuária e 87% da atividade industrial do Estado.
Também durante a programação, o professor Juan Felipe Almada, da Feevale, apresentou a marca comemorativa dos 30 anos do Comung.
Criado em 1996, o Comung atua na defesa e no fortalecimento do modelo comunitário de educação superior, além de articular iniciativas de ensino, pesquisa, inovação, extensão e desenvolvimento regional.
As instituições que integram o consórcio não possuem fins lucrativos e reinvestem seus resultados na própria educação e nos serviços oferecidos às comunidades.
Ao longo de três décadas, as universidades do Comung já formaram mais de 674 mil estudantes em cursos de graduação, exceto licenciaturas, e mais de 220 mil em cursos de licenciatura. Na pós-graduação stricto sensu, o acumulado histórico ultrapassa 31 mil mestres e 8,9 mil doutores formados.
Além da Feevale, integram o Comung a Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Universidade Franciscana (UFN), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade de Cruz Alta (Unicruz), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), Universidade La Salle, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade do Vale do Taquari (Univates), Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Universidade de Passo Fundo (UPF), Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp) e Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).
Fotos: Bruno Schütz | DN




