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Comunidade

Chance de El Niño muito forte sobe para 90%; governo se prepara para eventos extremos

A chance de formação de um El Niño muito forte subiu para 90% no próximo trimestre, entre outubro e dezembro, conforme a agência meteorológica norte-americana (CPC/NOAA). Diante da previsão, o Ministério da Saúde do Governo Federal realizou, nesta quarta-feira (16), uma coletiva de imprensa para apresentar ações de preparação para os possíveis impactos de eventos climáticos extremos que podem ocorrer em diferentes regiões do Brasil.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil está se preparando e antecipando os riscos relacionados ao El Niño. Segundo ele, a partir de outubro, o país entra em uma janela crítica, que deve se estender até março de 2027, com riscos diferentes para cada região.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), o fenômeno El Niño está ganhando força no Oceano Pacífico e deve continuar se intensificando até o fim de 2026. Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), confirmam e apontam probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul. Também há uma probabilidade de 75% de que seja o El Niño mais forte registrado desde 1950.

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O que isso significa para o Sul do Brasil:

Segundo o Inmet, o Rio Grande do Sul deverá registrar volumes de chuva acima da média histórica durante o período. Enquanto isso, as regiões Norte e Nordeste caminham para um trimestre mais seco.

O NOAA explica que o El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Rio Grande do Sul, os efeitos dependem da intensidade e da evolução do fenômeno ao longo dos meses.

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Apesar da alta probabilidade de formação de um El Niño muito forte, os órgãos meteorológicos ressaltam que os impactos não são garantidos. Historicamente, eventos mais intensos não significam automaticamente consequências mais severas, mas aumentam a probabilidade de ocorrência de impactos como secas, ondas de calor, chuvas intensas e inundações.

Diante da previsão, o Inmet reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas próximas semanas e meses. O acompanhamento deve ocorrer tanto em escala de curto prazo quanto sazonal, para identificar com antecedência as áreas mais vulneráveis aos diferentes impactos do fenômeno.

Saúde

Durante a coletiva desta quarta-feira (16), o Ministério da Saúde também destacou os impactos dos eventos climáticos extremos na vida da população. No Sul do Brasil, além do risco de cheias, deslizamentos e enchentes, existe preocupação com a capacidade do sistema público de saúde para atender ao aumento da demanda provocado por essas situações.

Entre os riscos apontados na coletiva estão afogamentos, ferimentos graves, leptospirose e outras doenças causadas pelo contato com água contaminada, gastroenterites, hepatite A e febre tifoide. Também existe a possibilidade de interrupção de serviços de saúde em áreas afetadas.

Segundo o levantamento apresentado pelo Ministério da Saúde, as mudanças climáticas já afetam a saúde da população. O órgão aponta que 1 em cada 12 hospitais corre risco de paralisar as atividades, enquanto 1 em cada 4 mortes no mundo está relacionada a fatores ambientais. O levantamento também alerta para o risco de óbitos provocados pelo calor extremo.

Por meio do AdaptaSUS, o Governo Federal informa que pretende investir cerca de R$ 9,8 bilhões em ações de resiliência climática. Alexandre Padilha também afirmou que o SUS está se preparando para enfrentar possíveis eventos extremos com medidas como a manutenção de uma Base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre, a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima na capital gaúcha, um Plano de Contingência para chuvas intensas, além da emissão de alertas e boletins e da qualificação de equipes.

Além do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participaram da coletiva de imprensa: a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, Ambiente e Saúde do Trabalhador, Agnes Soares; representante da Força Nacional do SUS, Rodrigues Tabeli; diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira; assessora técnica de saúde e ambiente da vice-presidência de ambiente, atenção e promoção da saúde da FioCruz, Marielle Barbosa; pesquisador da FioCruz, Paulo Gadelha.

FOTOS: Gabriel Muniz / DN e Walterson Rosa / Ministério da Saúde

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