Mais de um mês após a operação policial que interditou um canil em Dois Irmãos por maus-tratos e resultou no resgate de 238 de animais, os cães e gatos seguem sob cuidados da ONG Pata Santa. Enquanto acompanham a recuperação e aguardam resolução do processo na justiça, as responsáveis pelas instituições afirmam enfrentar dificuldades que vão além dos custos com alimentação e tratamento veterinário, incluindo ameaças e perseguições.
Segundo a protetora Ana Paula Schmitt, os desafios começaram logo após o resgate. “Nós resgatamos 238 animais. O canil foi fechado pela Vigilância Sanitária e pela Polícia Civil, e nós entramos no processo como fiéis depositários. Desde então estamos lidando com uma situação muito grave de maus-tratos, com animais que ainda seguem internados em clínicas veterinárias e, infelizmente, alguns que vieram a óbito”, relata.
De acordo com a fundadora do Instituto Eu Salvo Vidas, Paola Saldivia, 15 animais morreram desde o resgate, entre recém-nascidos e outros adultos debilitados.
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ONGs relatam ameaças e perseguições
Além dos cuidados com os animais, as responsáveis pelo resgate afirmam estar enfrentando perseguições desde a repercussão do caso. “Sabíamos que haveria reação por parte de pessoas ligadas a esse tipo de criação, mas não imaginávamos chegar ao ponto de termos nossa integridade física colocada em risco. Carros estranhos que param na frente das nossas casas durante a madrugada e tentativas constantes de descredibilizar nosso trabalho”, afirma Ana Paula.
As entidades também alegam que passaram a ser alvo de acusações falsas relacionadas ao resgate dos animais. “Criaram uma narrativa de que estaríamos lucrando com o resgate ou vendendo animais. Tudo isso para tentar tirar o foco do que realmente aconteceu: os maus-tratos e a situação em que esses animais viviam”, acrescenta.
Animais seguem em recuperação
Passados 47 dias da operação, muitos dos cães e gatos ainda necessitam de acompanhamento veterinário constante.
As protetoras afirmam que diversos animais chegaram desnutridos, doentes e sem qualquer histórico de atendimento médico. Entre os casos mais delicados estão animais idosos, com doenças renais, problemas na pele e outras complicações que expõe a falta de cuidados.


“Estamos tentando devolver a vida para esses animais. O que buscamos é que eles não sejam tratados como mercadorias, mas como vidas que precisam de dignidade, atendimento veterinário, amor e uma família”, afirma Ana Paula.
Segundo as responsáveis, além dos gastos com alimentação, medicamentos e internações veterinárias, foi necessário reforçar as equipes de limpeza e manejo.
“Todos os dias temos algum animal precisando de atendimento veterinário. Os gatos estão exigindo muitos cuidados e continuam gerando despesas significativas”, relata Paola.
Donos foram indiciados
Enquanto os animais seguem sob cuidado das entidades, o inquérito policial já foi concluído. Os donos do Canil em Dois Irmãos, que são mãe e filho, estão soltos. O processo corre em segredo de justiça.
“O delegado encerrou o inquérito e eles foram indiciados. Agora aguardamos o oferecimento da denúncia para que tenha início o processo penal e possamos buscar uma condenação definitiva”, explica a advogada das entidades, Isabella Barbosa.
Segundo Ana Paula, um laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) já foi anexado ao processo e concluiu que os animais eram mantidos em situação de maus-tratos e que o local apresentava condições insalubres.
As entidades defendem que os animais permaneçam sob proteção e não retornem ao local onde viviam anteriormente.


Como ajudar
A ONG Pata Santa e o Instituto Eu Salvo Vidas seguem recebendo doações da comunidade para custear os tratamentos e a manutenção dos animais.
As contribuições podem ser feitas por meio das campanhas e canais oficiais divulgados nas redes sociais das instituições. “Esses animais ainda precisam muito da ajuda da população. Sem esse apoio, seria impossível manter um resgate dessa dimensão”, conclui Paola.
Fotos: Reprodução/ONG Pata Santa