O morador de São Leopoldo Jairo Ribeiro Leite, de 61 anos, vive em situação de extrema vulnerabilidade social em uma área próxima ao dique da Vicentina. Embora o poder público conheça a situação e tenha oferecido ajuda e opções de acolhimento, ele optou por não abrir mão dos seus 11 cachorros, quatro cabritos e das galinhas que cria. “Não vou me apartar dos animais, é um amor inseparável”, afirma.
Mais conhecido como “Catarina” pelos vizinhos, o idoso vivia em uma casa de madeira que foi destruída pelo temporal do dia 21 de setembro. Desde então, Jairo construiu uma barraca do outro lado do dique, onde sobrevive com os animais e um colchão doado.


Catarina conta que nasceu e cresceu em São Leopoldo e que recebeu aposentadoria por invalidez durante 30 anos devido a um problema cardíaco. Apesar de ter familiares, como uma filha e um sobrinho, mantém pouco ou quase nenhum contato com eles.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Leopoldo, através da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), diz que já tem conhecimento da situação. A coordenadora do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), Luciana Araújo, explica que já ofereceu alternativas de acolhimento ao idoso.


Entre as opções está uma república localizada na Rua José Bonifácio, no Centro da cidade, que oferece acolhimento noturno e possibilidade de moradia por alguns meses. Nesse período, Jairo poderia aguardar o encaminhamento para o aluguel social.
A proposta ainda prevê que os animais do homem sejam acolhidos pela Secretaria Municipal de Proteção Animal (Sempa). Jairo poderia visitá-los diariamente e atuar como voluntário nos cuidados. No entanto, ele afirma que não quer se separar dos companheiros e prefere continuar vivendo na barraca, ao lado dos animais, do que ficar longe deles.
FOTOS: Gabriel Muniz / DN




