A partir de 1º de maio, entra em vigor o pilar comercial do acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve impulsionar as exportações de calçados brasileiros, setor estratégico para o Rio Grande do Sul e especialmente para a região do Vale dos Sinos, reconhecida como polo calçadista.
Maior produtora de calçados do Ocidente, com mais de 847 milhões de pares fabricados no último ano, a indústria brasileira vê o acordo com expectativa positiva. O bloco europeu representa cerca de 40% das importações mundiais de calçados, o que amplia o potencial de mercado para os produtos nacionais.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o acordo deve trazer ganhos de competitividade ao setor ao longo dos próximos anos, especialmente com a redução gradual das tarifas de importação, hoje entre 3,5% e 17%. A eliminação dessas taxas ocorrerá de forma progressiva, em até dez anos, dependendo do tipo de produto.
Na prática, os benefícios começam já com a entrada em vigor do acordo, com tendência de crescimento gradual nas exportações. Em 2025, o Brasil já havia exportado 17,4 milhões de pares para a União Europeia, um aumento de 5,2% em relação ao ano anterior.
Apesar do cenário positivo, o setor aponta um ponto de atenção: o risco de triangulação, quando produtos de países fora do acordo, principalmente asiáticos, utilizam países europeus como intermediários para obter vantagens tarifárias. Para evitar isso, foram definidas regras de origem que exigem, por exemplo, um mínimo de 60% de conteúdo regional na produção de calçados de menor valor.
Foto na capa: Divulgação/Beira Rio
