O Haiti chega à Copa do Mundo como uma das histórias mais dramáticas do torneio. A ilha caribenha, com mais de 12 milhões de habitantes, enfrenta há anos uma crise humanitária profunda marcada por instabilidade política, pobreza, desastres naturais e, nos últimos anos, pelo domínio crescente de gangues armadas.
A situação se agravou de forma acelerada. Em 2021, o presidente Jovenel Moïse foi assassinado. Em março de 2024, ataques coordenados a duas das maiores prisões do país resultaram na fuga de mais de 4.700 detentos. Somente naquele ano, mais de 5.600 pessoas foram mortas em meio ao caos urbano, além de inúmeros casos de abusos contra mulheres e crianças.
As gangues controlam atualmente a maior parte de Porto Príncipe, capital com mais de 2,5 milhões de habitantes. Em março de 2024, o tradicional Estádio Sylvio Cator foi tomado pelos grupos armados. A seleção haitiana, no entanto, já jogava fora do país desde 2021, por medidas de segurança.
E é justamente esse Haiti, sem estádio e sem paz, que retorna a uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974. A classificação veio com uma campanha sólida nas eliminatórias da Concacaf: o time terminou em primeiro lugar no grupo C após vencer a Nicarágua por 2 a 0 na última rodada. Na estreia do Mundial, o Haiti perdeu para a Escócia por 1 a 0, mas chamou atenção pela postura ofensiva adotada durante a partida.