O governo federal instalou uma Sala de Situação Interministerial para coordenar respostas a possíveis desastres provocados pelo Super El Niño, previsto para afetar diferentes regiões do país a partir de julho. A estrutura é coordenada pela Casa Civil e reúne 20 ministérios e órgãos federais.
O ministro do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Waldez Góes, apresentou as ações nesta quinta-feira (18), em entrevista ao Canal Gov. “O Brasil está preparado permanentemente, está em vigilância e mobilizado permanentemente para dar respostas à sociedade”, afirmou.
A sala permite o acionamento de recursos extraordinários e o planejamento conjunto com Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, ICMBio, estados e municípios. Órgãos de monitoramento como o Cemaden e o Inpe fornecem dados técnicos de forma contínua. Segundo o ministro, as reuniões com atores locais são semanais e, dependendo da situação, podem ser diárias.
Para o Sul, risco de chuvas intensas
O El Niño é um fenômeno climático que ocorre quando as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico superam a média em mais de 2°C. Neste ano, meteorologistas alertam para uma intensidade ainda maior. Para o Rio Grande do Sul e demais estados da Região Sul, o fenômeno costuma trazer chuvas intensas e maior risco de enchentes, o mesmo padrão que causou os desastres de 2024.
Alerta no celular, sem precisar de cadastro
Uma das ferramentas destacadas pelo ministro é o Defesa Civil Alerta, sistema que envia mensagens de emergência diretamente para celulares em áreas de risco — sem necessidade de cadastro prévio ou conta de telefone paga. “O telefone das pessoas vai travar. Mesmo que esteja assistindo a um filme no YouTube, o alerta vai chegar”, explicou Góes.
O sistema emite dois tipos de alerta:
- Alerta severo: aviso de alta relevância emitido quando ainda há tempo para medidas preventivas. Indica que a situação pode piorar e que o cidadão deve se preparar para deixar a área de risco.
- Alerta extremo: comando de evacuação imediata. O cidadão deve se dirigir ao abrigo mais próximo sem demora.
Góes ressaltou, no entanto, que o sistema deve ser usado com critério. “Ele não pode ser banalizado. Tem que ser utilizado em casos muito específicos”, disse.
Planos de contingência e cultura do risco
O governo federal alertou que a tecnologia só funciona se a população já conhecer os protocolos antes da emergência. “Não podemos dar um alerta extremo a uma comunidade sem que aquela comunidade já tenha tido o mínimo contato com aquele tipo de serviço público”, afirmou o ministro.
Por isso, o governo defende a realização periódica de simulações de evacuação nos municípios em zona de risco. “Se passarem dez anos sem ter problemas, beleza! Mas se acontecer, já está internalizado em cada cidadão”, disse Góes.
O ministro convocou prefeituras, escolas, igrejas, imprensa regional e comunicadores locais a garantir que rotas de fuga estejam sinalizadas e abrigos públicos estejam estruturados antes que os desastres ocorram.