O titular da meta da Seleção Brasileira nasceu e cresceu no bairro Canudos, em Novo Hamburgo. Chegando à sua terceira Copa do Mundo consecutiva como titular absoluto da Seleção, Alisson Becker tem uma trajetória que poucos conhecem e que começa longe do gol.


Nas categorias de base do Internacional, ele foi testado como volante. Mas a compleição física logo chamou atenção da comissão técnica, e o garoto foi reposicionado para a meta. Defender o gol, aliás, parece uma vocação de família: o bisavô era goleiro amador, o pai jogava de goleiro nas peladas do bairro, a mãe era referência no handebol escolar, e o irmão mais velho é Muriel: goleiro profissional com passagem por grandes clubes.


A trajetória, porém, não foi linear. Aos 12 anos, Alisson foi reposicionado como terceiro goleiro porque demorava a se desenvolver fisicamente. A situação ficou ainda mais difícil quando o pai perdeu o emprego, tornando caro demais manter o filho na base do Inter. Ele chegou perto de desistir. Então foi um preparador de goleiros do clube que fez de tudo para que ele ficasse.

A virada veio aos 16 anos, quando cresceu de 1,70m para 1,87m em menos de um ano. Em 2014, firmou-se como titular do Inter. Em 2015, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira e logo depois foi negociado com a Roma, da Itália.
Na Europa, o desempenho chamou atenção do Liverpool, que desembolsou 65 milhões de libras pela sua contratação em 2018, recorde mundial para um goleiro na época. Pelo clube inglês, Alisson conquistou a Champions League, foi eleito o melhor goleiro do mundo e chegou a marcar um gol em partida oficial. Em números, o gaúcho ficou mais de 130 jogos sem sofrer gol em mais de 330 disputados com a camisa dos Reds.

Pela Seleção, veio a Copa América. E foi em Novo Hamburgo que ele veio celebrar: em 2019, Alisson recebeu das mãos da então prefeita Fátima Daudt a Comenda Mérito Atleta Hamburguense, em cerimônia na Prefeitura Municipal.


Um detalhe curioso marcou a chegada da Seleção aos Estados Unidos para a Copa: entre os jogadores, Alisson foi o único com um acessório em mãos genuinamente nacional desembarcando com ele, uma bolsa mateira de uma marca gaúcha, de Canela, no Rio Grande do Sul.