Criado em Novo Hamburgo, o parasurfista Eduardo Merlin, de 52 anos, conquistou no último dia 24 o vice-campeonato brasileiro de Parasurf em Porto de Galinhas, Pernambuco. O pódio marca a história de superação iniciada após um grave acidente de moto e abre novas oportunidades para Merlin representar o Brasil em competições futuras.
Paranaense de Curitiba, o atleta chegou a Novo Hamburgo aos sete anos de idade e permaneceu na cidade por cerca de 35 anos. Atualmente mora na Praia da Pinheira, em Santa Catarina, lugar que se tornou base de treinamento do atleta e o fez descobrir a paixão pelo surf.
A trajetória até a chegada no esporte foi marcada por desafios. Em 2013, ele sofreu um grave acidente de moto que resultou na amputação de uma perna e na perda de alguns dedos da mão. O episódio desencadeou um período de depressão. Foi em 2017 que Eduardo encontrou no surf uma nova motivação para seguir em frente.
“O esporte salva”
Antes disso, sua principal ligação com esporte era através do skate, que praticou durante anos no Vale do Sinos. Com o convite de aprender mais sobre o parasurf, ele começou a treinar e competir na sua modalidade. “Quando comecei a surfar, o esporte foi muito importante para mim. Me ajudou e continua me ajudando até hoje”, relata.
Segundo ele, a transformação proporcionada pelo esporte é uma realidade compartilhada por muitos atletas com deficiência. “O esporte tira a gente daquele lugar escuro do acidente. Converso bastante com outros paratletas e quase todos têm a mesma história. O esporte salva”, conta.
Merlin conta que a deficiência ensinou que grandes conquistas não acontecem sozinhas. Atualmente aposentado, recebe apoio da comunidade de Pinheira, de patrocinadores, comerciantes da região litorânea e até de amigos do skate em Novo Hamburgo, que seguem acompanhando sua história.

Novos desafios pela frente
A vaga para disputar o Campeonato Brasileiro de Parasurf foi conquistada após bons resultados em competições regionais. Em Porto de Galinhas, Eduardo integrou a delegação da Federação Catarinense de Surf (Fecasurf), com outros 18 atletas. Além do título nacional, a competição também serviu como seletiva para o Campeonato Mundial da Associação Internacional de Surf (ISA).
O título conquistado representa um novo passo na carreira esportiva de Merlin, pois rendeu ao atleta o acesso ao programa Bolsa Atleta, auxílio que ajuda nos custos de treinos e participação em competições. “É legal demais, porque ajuda muito a gente a continuar treinando na água”, destaca.
Mesmo morando em Santa Catarina, Eduardo mantém o carinho pelas origens no Vale do Sinos, onde cresceu, fez amigos e viveu boa parte da juventude. Com o vice-campeonato brasileiro na bagagem, Merlin projeta novos desafios e oportunidades pela frente. “Não interessa qual é a limitação. O esporte sempre ajuda a seguir em frente”, resume.
