A OAB Novo Hamburgo divulgou na noite desta quarta-feira (26), que as mais de seis mil vítimas da Unick, assessoria de investimentos, devem começar a receber os valores investidos no esquema investigado como pirâmide financeira nos próximos 30 a 60 dias. Ao todo, cerca de R$ 230 milhões já recuperados pela Justiça serão destinados aos credores habilitados no processo de falência da empresa.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), entre 2017 e 2019, a empresa atuou como uma organização criminosa para obter vantagens financeiras por meio da emissão de títulos e valores mobiliários sem autorização, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e operação de instituição financeira ilegal.
O juiz da Vara Empresarial de Novo Hamburgo, Alexandre Kosby Boeira, explicou que o processo teve avanço rápido após a decretação da falência da Unick, em 2025.
Segundo ele, os administradores judiciais conseguiram recuperar ativos que estavam vinculados ao processo criminal que tramita na Justiça Federal. “Vai haver suficiência de ativos para pagar todo mundo. Então não há razão nenhuma para que as pessoas continuem esperando para receber seu crédito”, afirmou o magistrado.
Mais de seis mil pessoas já estão aptas a receber os valores investidos. Agora, a Justiça aguarda a individualização dos créditos e a organização do plano de pagamentos, etapa que inclui a confirmação dos dados bancários dos credores e advogados. “Determinei o prazo de 30 dias para a Administração Judicial comprovar a relação dos credores e os valores individualizados. Então eu não temos a data exata, mas em 30 ou, no máximo, 60 dias, tenho certeza que estaremos satisfazendo o pessoal”, explicou.
Grande parte dos valores recuperados veio de criptomoedas apreendidas pela Justiça Federal durante a investigação criminal. Além disso, a Vara Empresarial segue buscando novos ativos e promovendo leilões de imóveis ligados ao esquema, o que poderá gerar novos pagamentos no futuro.
Os contratos de investimento da Unick foram considerados ilícitos pela Justiça, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em decisões relacionadas ao chamado Projeto Cripto. “Se o negócio é ilícito, ele não gera frutos. Dá direito à restituição daquilo que foi investido”, resumiu.
A Justiça informou que outros investidores que tiveram seu patrimônio perdido seguem sendo procurados para apresentar documentação, informações e representação jurídica referente aos valores que têm a receber.
Relembre o caso
A Unick foi alvo da Operação Lamanai, da Polícia Federal, em outubro de 2019. A investigação apontou que a empresa prometia lucros de até 100% em seis meses através de investimentos em criptomoedas e mercado forex.
Segundo a Polícia Federal, a empresa operava em modelo de pirâmide financeira e chegou a movimentar cerca de R$ 28 bilhões, com captação estimada em até R$ 40 milhões por dia.
Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, emissão irregular de valores mobiliários, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e operação ilegal de instituição financeira.
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