A Reforma Tributária está sendo tratada por muitas empresas como um assunto exclusivo da contabilidade. Esse talvez seja um dos maiores erros estratégicos que os empresários podem cometer nos próximos anos.
O novo modelo tributário não vai impactar apenas a apuração de impostos. O impacto será operacional, financeiro e estratégico dentro das empresas.
O chamado split payment, por exemplo, pode alterar significativamente o fluxo de caixa das organizações. Muitas empresas hoje sobrevivem administrando prazo de fornecedores, prazo de clientes e capital de giro. Com a nova sistemática, parte do imposto poderá ser segregada no momento da liquidação financeira da operação, reduzindo a disponibilidade imediata de caixa.
Além disso, a Reforma Tributária exigirá revisão de precificação, análise de margens, revisão de mix de produtos, reavaliação de contratos, cadeia de fornecedores e até mudanças em modelos de negócio.
Empresas que trabalham com margens apertadas e não fizerem esse “tema de casa” antecipadamente poderão enfrentar sérias dificuldades financeiras, mesmo mantendo faturamento.
Outro ponto importante é que muitas decisões tributárias passarão a depender diretamente da gestão da empresa, e não apenas do escritório contábil. O contador continuará tendo papel fundamental, mas a Reforma Tributária exigirá participação ativa da controladoria, financeiro, compras, comercial e direção da empresa.
Estamos diante de uma das maiores mudanças econômicas e tributárias das últimas décadas no Brasil. Quem começar agora a estudar seus impactos terá vantagem competitiva. Quem deixar para depois poderá descobrir tarde demais que o problema não era apenas imposto, mas sim caixa, margem e sobrevivência financeira do negócio.
Autor:
José Santiago
CEO – Amploo Consultoria Empresarial Ltda.