*esta reportagem pode despertar gatilhos em relação a situações de abuso e violência sexual
O relato apresentado à Polícia Civil por um jovem que acusa de abuso sexual na infância um dos empresários presos na Operação Storm, em Ivoti, descreve uma abordagem na saída da escola, ameaças para garantir o silêncio e um trauma que o acompanha há mais de duas décadas.
Os fatos teriam ocorrido ao longo de cerca de dois anos, quando ele tinha entre sete e nove anos de idade. O DuduNews mantém sob sigilo a identidade da vítima e não nomeia o suposto agressor, que não foi formalmente acusado desses fatos.
O que diz o relato
Segundo o boletim de ocorrência, a criança costumava fazer o trajeto da escola à casa sozinha, a pé. Em uma ocasião, o homem teria se aproximado da criança de carro, na saída da escola, oferecendo carona. Diante da recusa, teria insistido com a promessa de chocolates, e a criança acabou aceitando.
Depois, ainda conforme o relato, ele passou a esperá-la com frequência em frente à escola, e a abusar dela repetidas vezes sob ameaças. As ameaças incluíam abandonar a criança em um lugar distante caso ela contasse a alguém.
Por que o silêncio durou tanto
A vítima afirma que nunca teve coragem de contar a ninguém por se sentir culpada e que mentia aos pais sobre os atrasos ao fim da aula. O menino chegou a ser levado a atendimento médico por apresentar febre e dores, que seriam resultado de machucados causados pelas violências sexuais. Segundo ele, não foi examinado pelo médico que o atendeu, sendo tratado para “uma virose”.
Só passou a compreender que aquilo não era correto depois de episódios mais graves de violência. “Ele me estuprou com cabo de ferramentas, tipo martelo e chave de fenda”, conta. Desde então, segundo ele, a vida nunca mais foi a mesma, e ele segue em tratamento de saúde por causa do trauma.
A decisão de denunciar veio meses atrás, depois de reconhecer o suposto agressor em reportagens sobre a Operação Storm e de saber que ele respondia ao processo em liberdade.
Sobre o conteúdo de abuso
No final de junho deste ano, dois empresários, de 64 e 47 anos, foram presos em flagrante em Ivoti. Na ocasião, a polícia recolheu mais de 100 terabytes de arquivos com conteúdos de abuso sexual infantojuvenil e zoofilia. O entendimento das autoridades foi de que, diante da tipificação constatada até o momento, não havia respaldo legal para pedir ou decretar a prisão preventiva. Os investigados respondem ao processo em liberdade.

Ainda é possível responsabilizar um crime de 20 anos atrás?
Pela legislação atual, nos crimes sexuais contra crianças e adolescentes o prazo de prescrição só começa a contar quando a vítima completa 18 anos. Como os fatos relatados são anteriores à mudança no Código Penal feita em 2009, o enquadramento legal e o cálculo do prazo dependem de análise do caso concreto pelas autoridades.
Como denunciar
Adultos que sofreram violência sexual na infância podem registrar ocorrência em qualquer delegacia, e denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100.




