O Rio Grande do Sul registrou, em menos de dois dias, uma sequência de quatro feminicídios e, como resultado, a morte de quatro mulheres. Os crimes aconteceram entre domingo (4) e segunda-feira (5). Com essas vítimas, em um curto espaço de tempo, o RS chegou à marca de 60 mulheres mortas por violência de gênero até o momento em 2026, conforme os dados da Polícia Civil.
O primeiro assassinato desta sequência foi feito em Alegrete, na manhã do domingo. O soldado Ellinton Moura Silva, de 23 anos, foi preso em flagrante suspeito de matar a ex-namorada, Ana Cristina Pinheiro Milano do Canto, de 21 anos, de acordo com apuração de GZH.
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e tentativa de feminicídio, já que a irmã da vítima também foi atingida pelos disparos. O crime teria sido motivado pela recusa do suspeito de terminar o relacionamento.
Outra vítima, uma mulher de 24 anos, foi morta na madrugada de segunda-feira (5), no bairro Restinga, em Porto Alegre. O crime foi cometido pelo companheiro, de 29 anos, que foi preso em flagrante pela Brigada Militar. Juntos, eles tinham um filho de 5 anos e outro de 3 meses, que não presenciaram o crime. Segundo a delegada Thais Dequech, o casal não tinha ocorrências de violência doméstica, e familiares e amigos não relataram situações do tipo entre os dois.
A terceira vítima foi uma mulher de 36 anos, morta depois de ser perseguida pelo companheiro, de 32 anos, em Barra do Guarita. O crime aconteceu na manhã de segunda (5). O casal era de origem venezuelana.
Segundo a Polícia Civil, o desentendimento teve início na casa da vítima, de onde mulher saiu correndo pela rua e foi perseguida pelo agressor. Ele desferiu vários golpes de canivete contra a vítima, que morreu no local. Após o ataque, o homem tentou tirar a própria vida, mas foi contido pela Brigada Militar, preso em flagrante e encaminhado sob custódia para o hospital.
O último caso, que fez o RS chegar a 60 feminicídios em 2026, foi registrado em Caxias do Sul. Uma mulher de 32 anos foi encontrada morta em uma área de vegetação na tarde de segunda-feira. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio e dois homens foram presos durante a ocorrência.
Números são menores do que 2025, mas ainda assustam
Com estes casos em investigação, o Estado tem 10 feminicídios a menos do que o número registrado até o fim de outubro do ano passado, segundo os dados dos Indicadores de Violência contra a Mulher, da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP/RS).
Apesar da diferença, outubro está apenas no início. Em 2026, janeiro foi, até agora, o mês com o maior número de registros, com 11 vítimas. Na sequência, os números variaram ao longo dos meses, enquanto outubro já começa com quatro casos em apenas cinco dias.
Foto da capa: Paulo Pinto/Agência Brasil




