APÓS UM ANO DE QUEDA NA PRODUÇÃO, ASSOCIAÇÃO DOS CALÇADISTAS PROJETA TÍMIDA ESTABILIDADE EM 2027; CRESCIMENTO DEVE SER DE APENAS 0,5% – Depois de um ano marcado por queda na produção e aumento da concorrência dos produtos importados, a indústria brasileira de calçados deve entrar em 2027 com uma expectativa de estabilidade. A projeção da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) aponta para um crescimento de apenas 0,5% na produção no próximo ano, após uma retração estimada em 2,1% em 2026.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira (1), durante o Análise de Cenários, promovido pela entidade e realizado de forma on-line. A avaliação considera o desempenho da indústria até os primeiros meses do segundo semestre e as perspectivas para o mercado doméstico e para as exportações. Até julho, a produção brasileira de calçados havia recuado 5,5% em relação ao mesmo período de 2025. Para os últimos meses do ano, entretanto, a expectativa é de uma recuperação parcial.
O cenário externo também aparece como um dos pontos de atenção para o setor. Até agosto, as exportações brasileiras de calçados haviam registrado queda de 7,5% em número de pares. A expectativa, porém, é de uma recuperação gradual. Para o quarto trimestre, a Abicalçados projeta redução da queda para 3,2%. Já nos três primeiros meses de 2027, a estimativa é de crescimento de 7,4% nas exportações.
A entidade avalia que a diversificação dos mercados compradores pode contribuir para essa recuperação. Uma eventual redução das tarifas adicionais cobradas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também poderia favorecer as vendas externas. Atualmente, os calçados brasileiros estão sujeitos a uma tarifa adicional de 37,5% para entrar no mercado norte-americano, segundo os dados apresentados no evento.
Se as exportações preocupam, a entrada de calçados estrangeiros no país acrescenta pressão sobre os fabricantes nacionais. Entre janeiro e agosto, 33 milhões de pares foram importados pelo Brasil, alta de 9,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo a Abicalçados, é o maior volume registrado desde o início da série histórica, em 1997.
As compras realizadas por meio de plataformas internacionais de comércio eletrônico também ganharam espaço. Até agosto, as pequenas remessas de calçados movimentaram US$ 424,9 milhões, aumento de 67,5% em relação ao mesmo período de 2025. Considerando as importações regulares e as pequenas remessas, a entrada de calçados no Brasil chegou a US$ 854,6 milhões. O valor supera em US$ 313 milhões tudo o que a indústria brasileira exportou no período.
O retrato projetado para 2027 é, portanto, de estabilidade. Depois de um 2026 de retração, a indústria não espera uma retomada acelerada, mas uma gradual recuperação da atividade.
Foto: Abicalçados / Divulgação




