O proprietário da JPF Turismo Religioso, Márcio Flores, foi indiciado pela Polícia Civil por 34 crimes de estelionato relacionados a uma viagem que deveria levar um grupo de passageiros de Canoas ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), no final de julho. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Canoas trata exclusivamente dos 34 passageiros que contrataram a viagem. Segundo a apuração, o grupo, ligado à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, deveria embarcar em dois ônibus para a peregrinação religiosa.
Os veículos, entretanto, não apareceram no local combinado. Dos 34 passageiros considerados no inquérito, 26 tinham 60 anos ou mais. Por isso, conforme a Polícia Civil, o indiciamento envolve 26 estelionatos contra pessoas idosas e outros oito casos de estelionato.
Embora o inquérito de Canoas tenha sido concluído com o indiciamento do empresário, a investigação sobre a JPF Turismo Religioso não se encerra com esse procedimento. Isso porque o caso também é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo. Segundo manifestação enviada nesta quarta-feira (30), o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach informou que existem procedimentos instaurados para apurar possíveis irregularidades relacionadas à comercialização de excursões e viagens pela empresa.
Na apuração da delegacia de Novo Hamburgo, até o momento foram identificadas 44 vítimas, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 74 mil. O número e o valor, porém, podem ser atualizados conforme novas vítimas e documentos sejam incorporados às investigações.
Há registros de vítimas em diferentes municípios do Vale do Sinos e da Região Metropolitana. Foram identificados moradores de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Araricá, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas e Rolante. A Polícia Civil também informou que, entre os procedimentos em andamento, dois envolvem viagens internacionais, além dos casos relacionados às excursões com destino a Aparecida.
As ocorrências não estão concentradas, portanto, em um único inquérito. O caso de Canoas, que resultou no indiciamento de Flores, foi concluído separadamente. Já o registro de Novo Hamburgo, conforme informou a Polícia Civil, continuam em apuração.
A investigação ganhou repercussão após passageiros denunciarem problemas envolvendo uma peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. A primeira viagem estava prevista para junho. Na época, clientes relataram que haviam pago pelos pacotes, mas a excursão não foi realizada.
A reportagem procurou a JPF Turismo Religioso e mantém espaço aberto para manifestação da empresa e de Márcio Flores sobre o indiciamento e as conclusões da Polícia Civil.




