Uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta quinta-feira (10) resultou na prisão preventiva de 18 pessoas e desarticulou parte da estrutura de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A Operação Los Santos mobilizou cerca de 120 policiais em ações realizadas em Canoas e Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, além de Florianópolis, em Santa Catarina.
Coordenada pela 4ª Delegacia de Polícia de Canoas, sob comando do delegado Gustavo Bermudes, a ofensiva cumpriu 17 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão. Do total de presos, 11 foram localizados no Rio Grande do Sul e o restante em Santa Catarina, alcançando 100% de efetividade nas prisões determinadas pela Justiça.
A investigação começou após a prisão em flagrante de uma mulher, quando policiais apreenderam drogas, dinheiro em espécie, anotações relacionadas ao tráfico e diversos comprovantes de pagamentos de cartões de crédito que, juntos, ultrapassavam R$ 200 mil. O material levantou a suspeita de um esquema de ocultação e lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Com o avanço da apuração, a Polícia Civil identificou uma estrutura formada por familiares e pessoas próximas, além de empresas de fachada, contas bancárias próprias e de terceiros e utilização de cartões de crédito com faturas pagas em dinheiro, inclusive em casas lotéricas.
Segundo a investigação, os principais alvos movimentaram aproximadamente R$ 8,8 milhões entre 2020 e 2025, valor considerado incompatível com as rendas e patrimônios oficialmente declarados pelos investigados. Entre eles estavam, inclusive, beneficiários de programas assistenciais, como o Bolsa Família.




Um dos episódios identificados pelos investigadores envolve um alerta bancário relacionado ao provisionamento de um saque de R$ 500 mil em uma agência de Santa Catarina. Para a Polícia Civil, a movimentação faz parte da estratégia utilizada pelo grupo para afastar o dinheiro de sua origem criminosa.
A investigação também apontou que integrantes da organização passaram a adquirir, vender e construir imóveis em Florianópolis, especialmente na região da Praia dos Ingleses. Conforme a Polícia Civil, a utilização de patrimônio em outro Estado tinha como objetivo dificultar o rastreamento dos valores obtidos com o tráfico praticado principalmente no bairro Rio Branco, em Canoas.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 11 milhões em contas bancárias, além de medidas sobre imóveis e veículos vinculados aos investigados. Entre os bens estão casas em Santa Catarina, sendo que uma delas é avaliada em mais de R$ 2 milhões.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais apreenderam ainda diversas armas e munições, incluindo pistolas Taurus TS9, Jericho e Glock G17, um fuzil T4 calibre 5.56, uma espingarda calibre 12 e um rifle calibre .22.
Também foram apreendidos veículos de alto valor, entre eles uma Land Rover e uma Toyota Hilux SW4 avaliada em aproximadamente R$ 400 mil, além de um jet ski. Uma maleta contendo dólares, que apresentam indícios de falsificação, também foi apreendida e será periciada.
De acordo com o delegado regional Cristiano Reschke, a operação busca interromper a atuação de uma organização criminosa que, segundo a investigação, estaria estabelecida no bairro Rio Branco há mais de 20 anos. A ofensiva também pretende atingir diretamente a estrutura financeira e patrimonial utilizada para ocultar valores provenientes de crimes.
Ainda conforme Reschke, o grupo possui ligação com indivíduos envolvidos nas disputas entre facções criminosas que provocaram homicídios registrados nas últimas semanas em Canoas, especialmente nos bairros Rio Branco e Niterói. A investigação aponta que a organização seria aliada de uma facção envolvida na disputa por pontos de tráfico e na prática de extorsões.
O delegado Gustavo Bermudes destacou o resultado da ação. Segundo ele, a operação alcançou 100% de efetividade nas prisões e também apreendeu veículos, armas de fogo, incluindo fuzis, e munições.
As investigações continuam para aprofundar a participação individual dos envolvidos e identificar outros possíveis integrantes e bens relacionados ao esquema.
Fotos: Divulgação Polícia Civil.






