Mais de 2 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de órgão no Rio Grande do Sul. No Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, a orientação da Fundação de Saúde de Novo Hamburgo (FSNH) é simples: conversar com a família sobre o desejo de ser doador ainda em vida.
Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, cerca de 45% das famílias entrevistadas no Brasil não autorizaram a doação.
Para a enfermeira Camila Crippa, integrante da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) da FSNH, falar sobre o assunto previamente pode facilitar uma decisão que, em um momento de perda, costuma ser ainda mais difícil.
“Isso porque quando a família recebe a notícia da morte de alguém que ama, ela já está vivendo um momento de choque e muita dor. Além disso, ainda precisa entender o que aconteceu, receber explicações sobre morte encefálica, saber como funciona a doação, tirar dúvidas e tomar uma decisão importante”, explica.
A FSNH também aproveita o Setembro Verde para capacitar os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) do município. Segundo Crippa, esses profissionais estão próximos das famílias e podem ajudar a levar informações corretas sobre o processo.


“Existe muita informação errada sobre o assunto. Então eles, que são os primeiros a chegar nas casas, vão tirar as dúvidas e levar as informações para a população”, afirma.
A enfermeira destaca ainda que uma negativa familiar não deve ser tratada como culpa. Para ela, é responsabilidade dos profissionais de saúde e também da imprensa contribuir para que a população tenha acesso a informações claras sobre doação, morte encefálica e transplantes.
Mais de 17 órgãos captados em 2026
O Hospital Municipal de Novo Hamburgo é referência na captação de órgãos na região do Vale do Sinos. Em 2025, 15 pacientes tiveram morte encefálica confirmada e eram considerados elegíveis para uma possível doação. Destes, oito famílias autorizaram o procedimento, resultando na captação de mais de 25 órgãos.
Em 2026, até o momento, foram registrados nove pacientes nessa condição, e seis autorizações familiares. Com isso, mais de 17 órgãos foram captados e transplantados.

Os números representam pessoas que aguardam na fila por um transplante. Para muitos pacientes, o procedimento pode significar a possibilidade de continuar vivendo e ter mais qualidade de vida.
No hospital, a e-DOT é responsável por acompanhar e organizar o processo de doação, com o apoio das equipes assistenciais e da OPO1 da Santa Casa de Porto Alegre.
Um único processo pode envolver mais de uma centena de profissionais, entre equipes médicas e de enfermagem, laboratório, diagnóstico por imagem, banco de sangue, centro cirúrgico, anestesia, captação, Central de Transplantes e transporte.
Para Crippa, toda essa estrutura começa com uma etapa fundamental: a conscientização sobre doação. “Porque sem doação não existe transplante”, encerra.
Foto da capa: Divulgação/Ministério da Saúde




