Socorristas e voluntários seguem trabalhando para remover os escombros na Colômbia em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes do terremoto mais forte da última década, que deixou até agora 132 mortos, 483 feridos e dezenas de construções destruídas. O fenômeno aconteceu na segunda-feira (10).
O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu às 7h34 locais (9h34 de Brasília), segundo os serviços geológicos colombiano e dos Estados Unidos. As principais cidades do oeste do país viveram momentos de pânico, com milhares de pessoas nas ruas, enquanto prédios desabavam ou sofriam graves danos, constataram jornalistas da AFP.
A maior parte da cidade de Pereira, a mais afetada, está sem energia elétrica, enquanto dezenas de voluntários procuram com lanternas sinais de vida sob as ruínas dos prédios. Segundo autoridades locais, Pereira registra pelo menos 60 mortos.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas três dias, declarou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Até o momento foram registrados 47 tremores secundários, segundo a autoridade geológica.
“O fim do mundo”
Em Cali, uma das cidades mais afetadas, socorristas removiam os escombros com as próprias mãos em busca de sinais de vida.
“Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos”, disse à AFP o socorrista Nelson Moreno, que chegou para tentar resgatar uma amiga sob dois prédios de cinco andares colapsados. O pai de sua amiga e o bebê da mulher estão feridos, mas saíram com vida.
“Agora precisamos de lanternas e óculos” por causa da poeira para seguir com os trabalhos durante a noite, acrescentou, cercado por centenas de voluntários com cães no local.
Os socorristas montam correntes humanas para tirar os destroços do edifício, com picaretas e ferramentas básicas. A cada tanto, gritam “silêncio” para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados.


Segundo o balanço mais recente do presidente, além das vítimas, há 61 prédios colapsados, 18 centros de saúde avariados e 52 instituições de educação afetadas. Apenas em Cali, 188 pessoas são consideradas desaparecidas.
O epicentro foi registrado perto de San José del Palmar, em Chocó (oeste), uma região pobre que até o momento reportou 13 mortos, enquanto avançam os trabalhos de resgate.
Ajuda internacional
Os Estados Unidos, aliados do novo governo, ofereceram uma ajuda de 15,5 milhões de dólares (cerca de R$ 80 milhões) para lidar com a emergência.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE pôs à disposição seu serviço de satélite Copernicus para as operações de resgate. Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram ajuda.
Em Bogotá, os prédios foram esvaziados e centenas de pessoas foram às ruas em meio ao ruído das sirenes. Apesar do alarme, o prefeito Carlos Galán assegurou que na capital só foram registradas rachaduras superficiais em algumas casas e prédios.
A estrela pop Shakira, natural de Barranquilla, escreveu uma mensagem emotiva no X: “Meu coração (…) está com as famílias que estão passando momentos de angústia”.
O terremoto foi sentido inclusive no Brasil e outros países vizinhos, como em algumas regiões da Venezuela, na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá.
Foto da capa: Reprodução/AFP




